01Por que poucos indicadores bem selecionados são suficientes
É tentador tentar medir tudo. Na prática, uma operação de varejo obtém mais resultado revisando poucos números com constância do que estruturando um painel completo que ninguém consulta após a segunda semana. Os seis indicadores a seguir cobrem as quatro áreas que mais afetam um fechamento: tempo, concessão, limite e alternativa.
02Tempo médio de fechamento (TMF)
É o tempo médio, em dias, entre a primeira solicitação e a confirmação do acordo. Quanto maior o TMF, maior o intervalo em que a operação permanece sem definição — e uma tratativa em aberto por tempo excessivo tende a gerar urgência, e urgência tende a gerar concessão adicional.
Para estimar sem sistema: selecione as últimas vinte negociações concluídas, calcule quantos dias cada uma levou entre a solicitação e a confirmação, e calcule a média simples. Repetir esse cálculo a cada trimestre já indica se o prazo está se estendendo.
03Tempo médio de resposta à contraparte (TRC)
É o espelho do indicador anterior, observando o outro lado da tratativa: quanto tempo a equipe leva para responder a uma proposta ou objeção da contraparte. O equilíbrio entre TMF e TRC indica quem está sob maior pressão — quando a contraparte demora a responder mas exige resposta rápida da equipe, ela utiliza o tempo como instrumento de pressão, o que tem um custo, mesmo que não explícito na proposta.
04Margem de concessão real
É o total concedido em relação à proposta inicial — desconto, prazo, frete — somado em uma única conta, após a conclusão da negociação. Essa margem corresponde ao que efetivamente é reduzido do resultado para viabilizar o acordo, além do que já estava previsto na proposta original.
Uma forma simples de estimar: registre o valor da proposta inicial, subtraia o valor final concedido, some qualquer benefício adicional (frete, prazo maior) e calcule o percentual correspondente. É esse número — não o desconto de tabela — que indica se vale repetir aquele mesmo formato de negociação.
05Piso mínimo aceitável
É o ponto abaixo do qual a negociação deixa de ser vantajosa — calculado antes da sessão, não durante a tratativa. Permite avaliar, a qualquer momento, se ainda é adequado continuar negociando ou se é preferível encerrar a conversa.
Definir esse número altera a discussão interna: em vez de perguntar “fechamos o acordo?”, a pergunta passa a ser “fechamos acima ou abaixo do limite definido?” — uma leitura tecnicamente mais objetiva.
06Taxa de impasse, sem retorno
É a proporção das negociações em aberto que permanecem, por um número definido de dias, sem retorno da contraparte (por exemplo, mais de quinze ou trinta dias). Observar esse percentual isoladamente, uma única vez, indica pouco — o relevante é a tendência: o número está em elevação, estável ou em queda a cada trimestre?
07Alternativas disponíveis, em número de opções
É a quantidade de alternativas reais que a equipe possui antes de iniciar uma negociação relevante — outro fornecedor, outro canal — caso aquela tratativa específica não seja concluída. Não existe um número universal recomendado, mas dispor de ao menos uma alternativa concreta já altera a forma como a pressão da contraparte é percebida: deixa de representar uma ameaça e passa a ser apenas mais uma opção disponível.
Esses seis números compõem boa parte do que avaliamos no início de um trabalho — consulte também o que avaliamos primeiro e, para detalhamento do primeiro deles, como estruturar seu roteiro.
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